La Casa de Jornal compila os casos mais notórios de violência
contra ONGs e instituições de caridade
Por Laura Lima
ONGs, instituições do
terceiro setor, indivíduos... Todos eles são reconhecidos por sua dedicação às
causas de caridade, sejam elas quais forem. Para isso, vários recursos acabam
sendo movidos, incluindo os financeiros. E é justamente essa movimentação de
quantias que chama a atenção de criminosos de todos os tipos.
As instituições,
porém, são alvejadas pelos bandidos da mesma forma que qualquer outro
estabelecimento. “Não acho que por ser uma ONG, o alvo fica mais fácil para
criminosos”, diz Denise Auad, professora de Direito e membro da Comissão de
Direitos da OAB. “Infelizmente, os beneficiários dos programas são os mais
afetados com esse problema, pois a ONG ficará com seus serviços precarizados.”
Mas há diferenças na
punição para quem comete crimes contra essas instituições em relação a crimes
contra, digamos, um banco ou supermercado? “Não posso afirmar com certeza
absoluta, mas desconheço uma legislação específica”, declara Denise.
O blog La Casa de Jornal compilou alguns casos
de ataques a essas pessoas/organizações, que se destacam pelas circunstâncias
e/ou pela violência empregada. Confira:
Indignação?
Em outubro de 2017,
um ladrão invadiu a sede (mais conhecida como Sala Verde) do Instituto de Pesquisa
e Educação Ambiental Planeta Terra, em Itapeva, no interior de São Paulo, e
levou o computador da entidade, descrito pelo presidente da ONG homônima que
coordena as atividades do espaço, Paulo Roberto Saponga, como “único bem de valor”
do instituto. Porém, um detalhe chamou a atenção: o ladrão deixou um bilhete
reclamando da gestão da prefeitura de Itapeva, alegando que o investimento no
espaço da sede teria sido “mais um jeito de roubar o povo itapevence [sic]. Num
local imenso grande dinheiro investido pra depois ficar assim: largado. Que
droga de cidade!” Em
postagem no Facebook, Saponga, revoltado, reiterou que o local não estava
abandonado, e ainda declarou: “Esse é um local que pelo menos ensina as
crianças e jovens, para que não sejam iguais a você”. Em outra postagem,
Paulinho Saponga, também membro da ONG, escreveu:
“Quero dizer pra todos que não conhecem o
trabalho do Instituto Planeta Terra, não, o local não está abandonado! Todo mês
temos circuitos de palestras e aulas de educação ambiental, e a manutenção
também está em dia, o que está acontecendo é que estamos aguardando um parecer
da Prefeitura sobre o comodato com os nossos funcionários, para que eles voltem
a trabalhar nos finais de semana e feriados, é por isso que a Sala Verde não
abre nesses dias, pois não temos funcionários para manter o local aberto.”
Bilhete deixado por ladrão em Itapeva (SP): justificável? [Paulo Roberto Saponga/Facebook]
Pacífica, mas nem
tanto
No Rio de Janeiro, em 2013, a Sociedade União Internacional Protetora dos Animais (Suipa), teve seu
abrigo, localizado perto da favela do Jacarezinho, arrombado. Mas ao invés de
dinheiro ou bens, os ladrões levaram uma égua. Pacífica, batizada assim por
conta da presença das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no local, logo foi devolvida por um grupo de
adolescentes da comunidade, sã e salva, embora com alguns ferimentos.
Essa não seria a última vez que a
organização seria atacada. Dois anos mais tarde, a Suipa sofreria outro roubo. Além de dois
equinos, Arregue e Petrobrás, vários outros bichos, como galos, porcos, seis
filhotes de cães vira-lata, e até um gavião foram levados pelos criminosos.
Pacífica acabou sofrendo mais ferimentos durante o ataque ao defender outra
égua, Yasmin, a quem de certa forma adotara. Nenhuma das duas foi levada,
contudo. A Suipa ofereceu uma recompensa de R$ 500 para quem achasse os
cavalos, que logo foram devolvidos.
Para os voluntários, os
sequestros desses animais seriam ordenados por traficantes, “para uso de entrega de drogas ou para carroceiros, que os escravizam
até a morte”. Pacífica, porém, fez jus ao seu nome, e levou uma vida pacata até falecer no
início desse ano.
Pacífica, em foto de 2013, logo após chegar à Suipa, no Rio. [Divulgação/Suipa]
Tempos de vacas
magras
Em novembro de 2017,
a sede da ASSIM (Associação Instituto
Movimento) em Florianópolis (SC) foi alvo de nada mais que três roubos seguidos,
deixando a associação sem equipamentos. Além disso, o espaço ainda foi
completamente vandalizado pelos criminosos. De acordo com o blog da
instituição, os danos causados foram severos:
“Somando-se os objetos roubados mais os estragos em móveis, pisos e paredes, o prejuízo financeiro ficou em R$ 8.000,00. As consequências dessa violência foram severas. Nossa palestra de final de ano, comemorativa aos 10 anos da ASSIM e que seria apresentada para 350 pessoas gratuitamente, teve que ser cancelada. O prejuízo emocional da equipe foi tão severo quanto o prejuízo material.
Os recursos que a ASSIM SC havia reservado para a ampliação de mais 2 consultórios para atendimento em 2018 tiveram que ser direcionados de modo emergencial para a instalação de alarmes e cercas elétricas.”
Para arcar com os gastos, a ASSIM angariou doações, tanto de materiais e equipamentos quanto de dinheiro, através de uma “vaquinha”. A vaquinha, porém, arrecadou apenas R$ 1.420 dos R$ 8.000 necessários. Felizmente, a associação continua em pleno funcionamento.



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